Fiz tantas perguntas...
e sobrou o quê?
As dúvidas ficaram vagando,
soltas na mente,
como uma semente bonita demais pra perder
Um dia, ela se prendeu nos meus pensamentos.
Virou a esquina e desapareceu.
Talvez tenha caído de propósito,
pra ninguém mais achar.
Mas eu achei.
E era um cajueiro,
crescendo firme
no meio do caos,
entre bueiros e concreto, se fez raiz.
Ficou ali, quieto,
mas dizendo tanta coisa.
Me lembrou que o tempo não avisa
ele só passa.
E que tem beleza onde ninguém olha,
força onde ninguém aposta.
Que nem tudo que some é perda.
Às vezes, é só pausa.
O cajueiro me contou isso
sem dizer uma palavra.
Com folha, galho e silêncio.
E eu entendi.
Nem toda dúvida precisa resposta.
Algumas viram flor.
Outras, sombra.
E tem aquelas que viram abrigo,
bem no meio de mim.
